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| Pesquisa aponta benefícios da correção intra-útero de mielomeningocele. |
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A pesquisa, que foi apresentada como tese de doutorado na Unifesp, avaliou seis crianças operadas, em 2005, no Hospital São Paulo por meio de uma técnica até então inédita no país: a correção intra-uterina da mielomeningocele a "céu aberto" (veja, abaixo, como o procedimento é feito). As cirurgias foram realizadas, na época, pelos médicos e professores titulares da Universidade, Antônio Fernandes Moron, do Departamento de Obstetrícia, e Sérgio Cavalheiro, do Departamento de Neurocirurgia e responsável pela correção do problema na coluna dos bebês. Após três anos da realização da cirurgia, o obstetra Wagner Jou Hisaba, autor da pesquisa, aplicou testes específicos para avaliar o nível intelectual (cognitivo) e neuromotor (força muscular, reflexos e sensibilidade) dessas crianças, uma vez que a mielomeningocele, quando não corrigida, traz seqüelas neurológicas importantes, como hidrocefalia - acúmulo excessivo de água no cérebro - e problemas ortopédicos, entre outros. Os resultados apontam que a correção da anomalia, ainda no útero da mãe, favorece o desenvolvimento das crianças, com melhora neuromotora evidente. Dos seis casos acompanhados ao longo desses anos, cinco deles apresentaram nível cognitivo normal, com percentuais entre 76 e 99 (normal acima de 60). Apenas uma criança mostrou atraso neuropsicomotor leve e representou o parto prematuro, realizado com 28 semanas - os partos foram realizados, em média, com 33 semanas de gestação. Apenas dois casos (33%) necessitaram de colocação de válvula permanente em função de hidrocefalia durante o período avaliado. Do ponto de vista neuromotor, houve melhora da força das pernas em 100% dos casos, com seqüelas motoras mais brandas, de dois a três níveis abaixo do esperado. Apesar dos resultados favoráveis, a realização desse tipo de cirurgia está parada no Brasil. "Infelizmente, o material utilizado no procedimento ainda não é fabricado no país. Além de caro, em média R$ 8 mil, não está liberado para importação", afirma o pesquisador. "Para que a cirurgia se torne viável aqui e seja realizada em larga escala, estamos esperando os resultados de uma pesquisa ampla, que está avaliando mais de cem casos nos EUA e a patente de um equipamento muito parecido com o americano, que está em teste no Brasil". O que é a mielomeningocele? Também conhecida como espinha bífida, a mielomeningocele é uma doença congênita e as causas que levam à malformação ainda não estão completamente esclarecidas. As causas são multifatoriais e envolvem problemas genéticos e fatores ambientais (carência de ácido fólico - vitamina do complexo B que exerce efeito protetor sobre a formação do sistema nervoso no feto e, consequentemente, previne as malformações do tubo neural em até 75% dos casos). Na mielomeningocele, que atinge uma a cada mil crianças no país, os ossos da espinha não se formam completamente, deixando exposta a medula espinhal do feto, que fica diretamente em contato com o líquido amniótico. Essa exposição é responsável por mais de 90% dos casos de hidrocefalia nesses bebês, além de outras seqüelas como problemas motores e neurológicos. "A gravidade das seqüelas depende do nível de abertura na coluna. Quanto mais alta a lesão, pior o prognóstico e as chances de andar", explica Hisaba. "Quando a abertura ocorre na parte inferior da coluna, em até 70% dos casos essas crianças conseguem andar sem a ajuda de aparelhos ortopédicos". De acordo com ele, além da hidrocefalia, mais da metade dessas crianças também podem apresentar bexiga neurogênica, problemas ortopédicos (pé torto congênito e alterações na coluna) e intestinais (incontinência fecal). "Para prevenir esse tipo de anomalia, é fundamental que as mulheres comecem a ingerir ácido fólico três meses antes da concepção, mantendo a vitamina até o terceiro mês de gestação", afirma o obstetra. Entenda o procedimento
A técnica - conhecida como cirurgia a "céu aberto" - se assemelha à cesariana. Entretanto, o bebê permanece no útero durante a correção da mielomeningocele. O médico, então, retira o líquido amniótico e o armazena em local adequado para conservação, depois de a gestante receber anestesias peridural e geral. O feto também é anestesiado, por via transplacentária, além de receber uma injeção intramuscular para evitar que se mexa ou sinta dor. |
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