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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) verificaram uma alta prevalência de hepatite C entre atletas com histórico de uso de estimulantes injetáveis, como complexos vitamínicos. O estudo, publicado na edição de dezembro da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz, contou com a participação de 208 atletas profissionais e a amadores de futebol e de basquete, que praticavam essas atividades entre os anos de 1960 e 1985 na região de Ribeirão Preto.
“Constatar essa hipótese é importante para a saúde pública, considerando que isso identifica um novo grupo de risco para a doença e permite um melhor foco nesse grupo específico”, afirmam os pesquisadores no artigo. “Os resultados também podem levar a uma mudança na prática médica, já que forçam a inclusão de questões como o uso de injetáveis lícitos no que tange prática de esportes, ponto não considerado tão relevante hoje em dia”.
A pesquisa mostrou que o uso de injetáveis era uma prática disseminada entre os participantes (24,5%), chegando a 50,8% entre os que se declararam jogadores profissionais. A prevalência de hepatite C encontrada na totalidade dos participantes foi de 7,2%. A presença da infecção foi marcadamente elevada entre aqueles que admitiram o uso de estimulantes quando comparados com os que negaram a prática: entre os amadores, os valores foram de 36% e 0,8%, respectivamente; entre profissionais, 21,9% e 0%.
“Até o momento, é comum associar a hepatite C com o uso de substâncias injetáveis ilícitas e questões que dizem respeito ao uso de injetáveis lícitos no passado tem sido negligenciadas”, comentam os pesquisadores. “Baseado nas evidências coletadas, é preciso incorporar essas questões à rotina de análise desses indivíduos que praticavam esportes na época analisada”.
Texto: Renata Moehlecke
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias