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Carne de porco não é causa direta da cisticercose.
   

A crença de que a cisticercose é transmitida pela carne de porco, além de equivocada, impede medidas mais amplas de prevenção da doença. O contágio da parasitose se dá da seguinte maneira: ao ingerir carne de porco mal cozida contaminada com cisticercos - a tênia na fase larval - o homem adquire a teníase. Isso porque, dentro do intestino humano, o cisto se desenvolve em um verme adulto, também conhecido como solitária. Neste caso, os sintomas mais freqüentes são dores de barriga e perda de peso. O tratamento é simples, à base de remédios.

Entretanto, enquanto não houver tratamento, os anéis (ou proglotes) do verme, repletos de ovos, são liberados nas fezes. Se o porco ingeri-las, será contaminado por esses ovos que, por sua vez, se alojarão no tecido muscular do hospedeiro e se transformarão em cistos, causando a cisticercose suína. Dependendo da higiene da pessoa infectada e das condições de saneamento básico, as fezes humanas também contaminam mãos, alimentos e a água, podendo levar à cisticercose humana. Dentro do corpo humano os ovos se desenvolvem em cistos e ficam alojados em locais irrigados, como músculos, globo ocular ou o cérebro. Ou seja, teníase e cisticercose são causadas pela mesma espécie de tênia, em fases diferentes do seu ciclo de vida. Combater uma doença leva, indiretamente, ao combate da outra.

Mais de 90% dos casos de cisticercose atingem o sistema nervoso central - daí o nome neurocisticercose. No cérebro, o cisto obstrui a drenagem pelo líquor, ocasionando hidrocefalia e hipertensão intracraniana. Dores de cabeça, vômitos, alterações visuais e de fala são comuns nesses casos. A manifestação clínica mais freqüente da parasitose são crises epilépticas, que acometem 62% dos infectados. Estágios mais avançados da doença chegam a provocar mudanças de comportamento ou déficit intelectual. Estudos recentes apontam que 60% dos pacientes com neurocisticercose desenvolvem quadros psicóticos.

"O tratamento deve ser individualizado, pensado para cada paciente em particular", reforça Osvaldo Takayanagui, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. O uso de remédios como albendazol ou praziquantel, por exemplo, pode surtir efeitos contrários e fatais. Quando morto, o cisto libera fluidos que atraem as células do sistema imunológico, o que pode gerar uma reação inflamatória. Além disso, as células de defesa humanas se aglomeram, obstruindo ainda mais o fluxo do líquor. "A estratégia é matar todos os cistos com remédios e controlar a reação inflamatória que pode ser desencadeada no processo terapêutico". Tudo isso depende do número de cistos (que varia de um a milhares), seu tamanho e localização. Outra forma de tratamento é por meio de cirurgia.

Doença subestimada

A situação atual da cisticercose na América Latina assemelha-se à da Alemanha no final do século XIX. Naquele país, como em outros da Europa Ocidental, não houve um plano específico de controle da doença. O declínio da parasitose resultou do desenvolvimento da educação e do crescimento sócio-econômico da população. "Embora seja uma moléstia mais freqüente em países em desenvolvimento, o fluxo migratório a levou para regiões nunca antes atingidas", diz o professor Osvaldo Takayanagui. É o caso dos EUA, principalmente em estados como Califórnia e Texas, que desde os anos de 1980 representam áreas problemáticas devido à migração de latino-americanos.

"É uma doença sem dúvida subestimada", lamenta o professor. Tão subestimada que não consta nem na lista divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) das doenças negligenciadas no Brasil. Isto é, doenças graves que não possuem tratamento adequado, que não se apresentam como um mercado potencial de drogas suficiente para sensibilizar o setor privado e que não despertam interesse suficiente do governo. Nessa lista estão moléstias como a hanseníase, leishmaniose, dengue e Mal de Chagas. De acordo com a mesma organização, a cisticercose atinge 50 milhões de pessoas em todo o mundo e mata 50 mil a cada ano.

"Infelizmente, a classe médica e a população desconhecem os riscos que a doenca representa e os meios de prevenção. Acham que é uma doença banal", afirma o professor. Segundo ele, tanto o hipoclorito de sódio quanto o vinagre não matam os ovos da Taenia solium, que vivem até 7 anos. Por isso é necessária rigorosa lavagem manual de frutas e verduras em água corrente, folha por folha. Além disso, o consumo de carne suína bem cozida evita a teníase e, por conseqüência, a cisticercose.

Em 1993, pesquisadores da International Task Force for Disease Eradication concluíram que entre 90 doenças infecciosas e parasitárias, a cisticercose era uma das poucas potencialmente erradicáveis com os recursos tecnológicos existentes. "Educação sanitária e saneamento básico são fundamentais", enfatiza o professor.

Texto: Marana Borges
Fonte: USP Online

Publicado em: 11/08/2005

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