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Lombalgia atinge 59% dos caminhoneiros de São Paulo.
   

O elevado número de horas de trabalho é a principal causa do problema, revela dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Medicina da USP. Uma das principais causas de afastamento temporário e permanente do trabalho no Brasil, a lombalgia (dor na região lombar) atinge mais da metade dos motoristas de caminhão do Estado de São Paulo, principalmente os que exercem a atividade várias horas por dia. Uma pesquisa da fisioterapeuta Silvia Ferreira Andrusaitis mostrou que 59% dos caminhoneiros sofrem de lombalgia e, para cada hora de trabalho, o risco de o motorista ter dor lombar aumenta 7%.

Segundo Silvia Andrusaitis, a lombalgia ocupacional é um mal que acomete principalmente indivíduos que trabalham na condução de veículos motorizados, com destaque para os caminhoneiros que passam longas horas do dia ao volante. A fisioterapeuta pesquisou o tema para sua dissertação de mestrado, apresentada ao Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da USP, sob orientação do ortopedista Reginaldo Perilo Oliveira.

Em seu estudo foram avaliados 489 caminhoneiros do sexo masculino, dos quais 410 foram selecionados para a pesquisa, com uma média de 9,9 horas de trabalho diário. Todos tinham mais de um ano de experiência profissional e a condição era de que não tivessem apresentado dor na região lombar antes do exercício da atividade. O objetivo foi investigar a prevalência de lombalgia entre caminhoneiros, bem como os fatores de riscos relacionados à ocorrência de dor lombar.

A pesquisa focalizou caminhoneiros que trabalhavam nas rodovias paulistas Castello Branco, Raposo Tavares e Senador José Ermírio de Moraes, entre os meses de março e novembro de 2003. O grupo respondeu a um questionário onde foram abordados fatores como idade, prática de atividade física e esportiva, hábitos gerais de saúde e questões relativas ao exercício profissional. Calculou-se também o índice de massa corpórea, por meio da relação entre o peso corporal e o quadrado da estatura.

Horas de trabalho

O resultado indicou que a prevalência de lombalgia nos caminhoneiros é de 59% e, dentre as variáveis estudadas, apenas o número de horas de trabalho mostrou-se estatisticamente significante. “O principal resultado é a correlação do número de horas de trabalho com a ocorrência da dor lombar”, destaca Silvia Andrusaitis. Mas outros fatores também contribuem para uma postura errada, adverte a fisioterapeuta: “Permanecer sentado por tempo prolongado, expor-se à vibração, inclinações e rotações excessivas do tronco, carregar objetos pesados e manter a concentração que a atividade exige, sem intervalos adequados de relaxamento.

Apesar de o fator sedentarismo não ter apresentado correlação com a dor lombar, 77% dos caminhoneiros não praticavam qualquer atividade física. Foi detectada a ocorrência de irradiação da dor para membros inferiores em 33,9% dos motoristas que apresentaram lombalgia. “Essa média é maior do que a encontrada na população em geral, o que pode ser indicativo de comprometimento do disco intervertebral”, afirma a autora do estudo. Com relação às ausências no trabalho, 17,4% dos motoristas de caminhão já se ausentaram pelo menos uma vez em decorrência da lombalgia. O período de afastamento variou de um a 240 dias.

Fonte: Agência USP de Notícias

Publicado em: 27/09/2004

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