Estudo associa insônia a transtorno do pânico.
 

Não é novidade que uma noite bem-dormida pode garantir melhor qualidade de vida. A questão, no entanto, é que dificilmente as pessoas acometidas por perturbações no sono buscam auxílio médico para resolver o problema. "O indivíduo se queixa para a esposa, vizinhos, colegas de trabalho, mas uma minoria busca tratamento adequado. Já é comprovado que não dormir bem pode, entre outros sintomas, ocasionar a queda no rendimento profissional e o humor fica prejudicado. Enfim, ocasiona uma qualidade diurna ruim", declara a neurologista Carla Renata Aparecida Vieira Stella. O pior agravante, lembra ainda a profissional, é o aumento no índice de desastres no trânsito e acidentes em empresas.

Convidada a compor a equipe do Núcleo de Atendimento a Transtornos da Ansiedade (Nata) do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, a neurologista começou a observar que os pacientes tinham sintomas do transtorno do sono (TS), mas dificilmente o declaravam no momento da consulta médica. Mas foi nos pacientes com distúrbio do pânico em que Carla deteve um olhar mais apurado. Em sua pesquisa de mestrado "Transtorno do pânico e sono: análise da qualidade do sono em pacientes com transtorno do pânico", ela identificou que 70% dos pacientes com o pânico, também possuíam sérios problemas com o sono, inclusive insônia em sua categoria mais grave. De junho de 2002 a julho de 2004, orientada pelos professores Evandro Gomes de Matos e Luis Alberto Magna, Carla entrevistou 200 pacientes, com idade média de 39 anos, para avaliar a qualidade do sono.

A neurologista constatou que 64% dos entrevistados sofrem de insônia e 78,87% possuem o sono fragmentado. A fadiga ao despertar acomete 79,4% dos pacientes avaliados. Em todos os casos, a neurologista verificou que a ansiedade foi o fator predominante e, em 75%, ocorre uma ou mais das alterações. A população feminina estudada é mais acometida pela insônia. Já entre homens, predominam a fadiga ao despertar, a sonolência diurna e o sono fragmentado.

Fonte: Jornal da Unicamp

Data da Publicação: 19/09/2005
 

 
 
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