| DEFINIÇÃO Concentrações de Cálcio no sangue anormalmente baixas (Cálcio total
< 2,20 mmol/L ou 8,8 mg/dL).
O Cálcio ionizado é um reflexo mais acurado do Cálcio no
organismo, especialmente em pacientes com diminuição de albumina. O Cálcio ionizado
normal varia de 1,12 a 1,23 mmol/L (2,24 a 2,46 meq/L ou 4,48 a 4,92 mg/dL).
CAUSAS TÓXICAS
- Etilenoglicol
- Fluoretos e fluorsilicatos
- Acido fluorídrico (ingestão ou contato dérmico)
- Acido oxálico e oxalatos
- Enema fosfato
- Acido valpróico
CAUSAS NÃO TÓXICAS
- Hipoparatiroidismo
- Má absorção
- Pancreatite
- Falência renal
- Deficiência de Vitamina D
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Hipocalcemia grave pode aparecer uma hora após a ingestão
aguda de ácido fluoridrico, fluoretos, fluorsilicatos ou ácido oxálico. Parestesias,
tetania, e convulsões estão presentes frequentemente. O eletrocardiograma mostra
intervalo QT alargado ou prolongado e ondas T grandes e pontiagudas.
Arritmias e parada cardíaca podem ocorrer.
DIAGNOSTICO DIFERENCIAL
- Síndrome do QT prolongado congênito
- Agentes antiarritmicos tipo Ia
- Tétano
- Hiperventilação
- Estricnina
- Convulsões
INVESTIGAÇÕES RELEVANTES
- Cálcio total e ionizado no soro
- Ionograma: concentração de Magnésio, Fosfato, Sódio e
Potássio
- Função renal (uréia e creatinina)
- Gasometria
- Eletrocardiograma (Intervalo QT e morfologia da onda T)
- Considerar os níveis de amilase, ácido valpróico e
etilenoglicol quando apropriados.
TRATAMENTO
Depois da ingestão aguda de ácido fluorídrico,
fluoretos, fluorsilicatos ou ácido oxálico, devem ser administrados sais de Cálcio por
via oral ou por tubo gástrico tão logo quanto possível. O Cálcio atua como um agente quelante no estômago. O
Magnésio (como o Hidróxido de magnésio encontrado em preparações antiácidas
líquidas) pode também ser útil no caso de ingestão de fluoretos.
Contaminação extensa da pele por ácido fluorídrico,
fluoretos, fluosilicatos e ácido oxálico podem causar hipocalcemia grave e toxicidade
sistêmica.
Em todos os pacientes com suspeita ou hipocalcemia
confirmada, fazer monitorização cardíaca e administrar Gluconato de Cálcio intravenoso. A administração de
doses suplementares de Sais de Cálcio depende da concentração de Cálcio no soro e ECG.
O Cloreto de Cálcio pode também ser usado, mas contém aproximadamente três vezes a quantidade de
Cálcio por ml.
EVOLUÇÃO CLÍNICA E MONITORIZAÇÃO
Parada cardíaca súbita pode ocorrer - providenciar
acompanhamento eletrocardiográfico contínuo (intervalo QT, ondas T).
Concentrações de Cálcio e Cálcio ionizado no soro.
Muitas das causas da hipocalcemia pode também conduzir a
hipercalemia severa - controlar o Potássio e eletrólitos no soro freqüentemente.
AUTORES / REVISORES
Autor: Dr V. Danel, Unité de
Toxicologie Clinique, Grenoble, France.
Revisão: Cardiff 9/96: V. Afanasiev, M. Burger, T. Della Puppa, L. Fruchtengarten, K.
Olsen, J. Szajewski. Tradutores: Dra Daisy Scwab Rodrigues, CIAVE, Salvador, Brasil; Dra
Ligia Fruchtengarten, CCISP, São Paulo, Brasil.
Fonte: IPCS INTOX
Obs.:
O tratamento proposto é apenas para fins didáticos, não se automedique, a
automedicação pode ser perigosa. Caso necessário procure um médico para maiores
informações, somente ele pode lhe prescrever alguma medicação. |