Fatores hormonais aumentam a suscetibilidade das meninas à infestação por piolhos.
A infestação por piolhos é uma preocupação constante das mães que têm filhos em idade escolar. Tratamentos repetidos e inadequados podem levar à resistência aos medicamentos existentes no mercado. As reinfestações costumam ocorrer no contato diário com outras crianças da escola. Pesquisadoras do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) e do Centro Regional de Investigação Científica e Transferência Tecnológica de La Rioja na Argentina (CRILAR) estudaram a intensidade de infestação por piolhos - ou Pediculus humanus capitis - e sua variação segundo o sexo e a idade para determinar quais os grupos necessitam maior vigilância e tratamento.
Foram analisadas 181 crianças (88 meninas e 93 meninos) da província de La Rioja, na Argentina, que vão às aulas regularmente, com idade entre 06 e 11 anos. As escolas locais não possuem campanhas preventivas eficazes o que, somando-se à crítica situação econômica do país, colaborou para a expansão da pediculose - infestação por piolhos - e também para o desenvolvimento de resistência dos parasitas aos inseticidas. De acordo com artigo publicado na edição de nov/dez de 2004 da Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, "freqüentemente observam-se lesões provocadas por coceira no couro cabeludo e que podem produzir complicações, como infecções bacterianas, micoses e em casos mais graves, miíases - infestação do couro dos animais por larvas de insetos -. Também existem evidências de que os piolhos sejam vetores potenciais de microorganismos como riquetsias".
Recentemente comprovou-se que muitas crianças têm exclusivamente lêndeas e não chegam a desenvolver uma parasitose ativa. Segundo as pesquisadoras Silvia Catala, Lorena Carrizo e Marina Cordoba, "este fato gerou uma séria controvérsia sobre os critérios para aplicação de tratamento, concluindo-se que muitas crianças com lêndeas provavelmente não necessitam de aplicação de piolhicidas". Crianças com até 10 lêndeas próximas do couro cabeludo têm baixa probabilidade de desenvolver infestação por piolhos.
O estudo comprovou que 45% das crianças (57 meninas e 25 meninos) apresentavam algum grau de infestação por piolhos. Segundo o artigo, "os meninos mantiveram uma prevalência média estável até os 9 anos, diminuindo nos anos seguintes. As meninas, em contraposição, foram mais afetadas a cada ano, até alcançar um valor máximo aos 9 anos, logo a prevalência diminui consideravelmente. A incidência discriminada por grau de intensidade de infestação e idade mostra que, entre os seis e oito anos, a parasitose alcança o nível máximo. Aos 9 anos, ainda que a predominância continue sendo muito elevada, a maioria das crianças possui somente lêndeas e, em conseqüência, tem baixa probabilidade de desenvolver a parasitose ativa."
Meninas costumam ser mais suscetíveis à pediculose e, em geral, se atribui este fato ao comprimento do cabelo. Para as pesquisadoras, "é possível que isto seja relevante tanto na hora do contágio (maior exposição em cabelos compridos) como em aplicar medidas de controle (dificuldades na sua escovação).No entanto, o presente trabalho mostra que outros fatores também estão em causa. O mais provável é que fatores hormonais modifiquem as características do couro cabeludo e também o comportamento das crianças. Meninas costumam ter o cabelo comprido permanentemente e a prevalência de pediculose aumenta significativamente até os 8 anos, particularmente nos graus de maior intensidade. Em contraposição, nos meninos diminuiu a prevalência ao aproximar-se a puberdade, entre 10 e11 anos, independente do comprimento do cabelo. Os resultados permitem considerar que as idades escolares mais críticas são as que correspondem aos 4 primeiros anos de escolaridade e especialmente para as mulheres."
O uso de loções no tratamento da pediculose aumenta rapidamente o desenvolvimento de resistência aos seus compostos. Portanto, as pesquisadoras sugerem que crianças com poucas lêndeas próximas ao couro cabeludo não sejam tratadas com pediculicidas e sim penteadas com um pente fino, já que, provavelmente não desenvolverão infestação por piolhos. Para elas, "o uso do pente fino é de grande utilidade para a vigilância destas crianças e não implica em riscos. As crianças com lêndeas a 1 cm do couro cabeludo possuem infestação antiga. Neste caso, elas deverão ser monitoradas com maior cuidado, especialmente usando pente fino sobre o cabelo úmido e com creme. É freqüente que estas crianças só tenham lêndeas sem piolhos ativos. Em contraposição, as crianças em que haja piolhos vivos deverão ser tratadas com pediculicidas e vigiadas até que se comprove a erradicação do parasita. Estas crianças poderão disseminar piolhos para as cabeças de seus colegas, e devem ser vigiadas para impedir novas infestações".
Fonte: Agência Notisa
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